A divisão

Poema da divisão

-Há uma certa operação,
Que se chama divisão,
Com esse belo condão
de mostrar sem fantasia
o que é democracia.
Se me dão dez rebuçados
E a ti não dão nenhum,
Divido-os então pelos dois:
Cinco para cada um.

– Diz-me lá, meu acrobata
Das contas de dividir
E se eu tiver vinte e quatro
Cromos para repartir?

– Nesse caso dou-te doze,
Se por dois os dividirmos,
Mas se vier outro amigo
Cabem oito a cada um
E não sobra mais nenhum.
– Na verdade, tens razão.
Essa bela operação,
Que se chama divisão,
Tem mesmo, mesmo o condão
De mostrar sem fantasia
O que é a democracia.

In “Versos quase matemáticos”, João Pedro Mésseder

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